Idolatria

Vamos passear hoje pela Bíblia tratando de um tema que é motivo de muita polêmica entre aqueles que seguem a palavra de Deus e muitas outras pessoas que aprenderam esse tipo de prática. Trata-se da idolatria ou, em outras palavras, a adoração ou veneração de uma imagem de escultura que represente uma pessoa ou até mesmo Deus.

Eu não sei quanto a você, mas desde criança a minha formação foi católica. Estudei em colégio católico e durante muitos anos assisti às missas e cerimônias católicas. Muito antes de nascer de novo pelo Espírito Santo, me lembro que desde criança nunca me senti muito à vontade na frente das imagens. Eu parava diante delas, me ajoelhava, pedia alguma coisa, pensando naquela pessoa que ela representava. Ocorre que eu sempre tinha medo de que ela pudesse se mexer de repente. Chega a ser uma coisa até infantil, mas era um medo, uma coisa curiosa.

Por isso, logo depois que me converti, que nasci de novo, esse foi um dos temas que mais me interessou para pesquisar na Bíblia. Acabei elaborando um estudo de 10 páginas que usei para alertar meu pai e minha mãe dos perigos dessa prática diante de Deus. Para o nosso alimento diário de hoje vamos utilizar uma versão mais resumida e objetiva. Mesmo assim, você verá que são muitos versículos. Será um tremendo passeio pelas Escrituras. Vamos lá então.

Tudo começou ainda no velho testamento, pois como você sabe, o livro de Genesis narra a criação do homem e da mulher e como o primeiro casal tinha uma intimidade ou comunhão total com Deus, a tal ponto de estar com o Senhor todas as tardes para passear no jardim do Éden e conversar com Ele. Depois da queda do homem da presença de Deus, representada pela desobediência a Ele e obediência ao diabo, o ser humano não só foi expulso do jardim, como também, da presença de Deus.

De lá para cá, Deus está sempre tentando uma reaproximação com o homem e muitas vezes o homem também tentou aproximar-se outra vez de Deus. A construção de imagens de escultura na forma de pessoas ou até mesmo na forma imaginada de Deus, não deixa de ser uma tentativa do homem de ter mais uma vez aquela intimidade que tinha antes. Contudo, só devemos nos aproximar e nos relacionar com Deus da maneira que Ele nos orienta para fazer e não da forma como achamos que é certa. Vamos ver na Bíblia o que Deus disse a esse respeito, começando pelos Dez Mandamentos:

Êxodo 20:1-6

Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

Veja que nesses versículos, a coisa já começou quando Deus deu aos homens os Dez Mandamentos. Observe que logo no primeiro mandamento o Senhor nos orienta a não termos outros deuses e a não fazermos imagens de escultura que se pareça com nada que exista, nem pessoas nem animais. Também nos orienta a não adorar essas imagens e a não prestar culto a elas. Não prestar culto significa não tratá-las com deferência, com honra ou respeito, ou seja, não apresentá-las como objeto de adoração, não levá-las em procissões sobre andores, não nos ajoelharmos diante delas e por aí vai.

Seguindo mais adiante na Bíblia, vamos encontrar o senhor falando mais uma vez sobre isso no livro de Deuteronômio. Lá, o Senhor, através de Moisés, lembra ao povo de Israel que Ele falou no monte Horebe e que naquele dia, ninguém viu a imagem de Dele:

Deuteronômio 4:10-19

Não te esqueças do dia em que estiveste perante o SENHOR, teu Deus, em Horebe, quando o SENHOR me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer- me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos. Então, chegastes e vos pusestes ao pé do monte; e o monte ardia em fogo até ao meio dos céus, e havia trevas, e nuvens, e escuridão. Então, o SENHOR vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes aparência nenhuma. Então, vos anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra. Também o SENHOR me ordenou, ao mesmo tempo, que vos ensinasse estatutos e juízos, para que os cumprísseis na terra a qual passais a possuir. Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher, semelhança de algum animal que há na terra, semelhança de algum volátil que voa pelos céus, semelhança de algum animal que rasteja sobre a terra, semelhança de algum peixe que há nas águas debaixo da terra. Guarda- te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar- te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.

Mesmo não precisando explicar nada, pois Deus é Deus e Senhor, Ele, pela sua misericórdia, nos explica o porquê de não fazermos imagens. Ele nos diz que o povo poderia passar assim a inclinar-se a elas e adorá-las no lugar de Deus. Olha como ninguém pega Deus de surpresa. Ele já sabia o que iria acontecer até aos dias de hoje e nos alertou. Esse foi o motivo alegado por Deus nesses versículos para nunca ter mostrado a sua real aparência. Nos salmos, como veremos a seguir, podemos ter uma ideia de como o Senhor fica aborrecido com esse tipo de comportamento. Veja só:

Salmos 115:1-8

Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade. Por que diriam as nações: Onde está o Deus deles? No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam.

Opa !!! Me chama muita atenção o final desses versículos, dizendo que as pessoas que confiam nas imagens acabam tornando-se semelhantes a elas, ou seja, inanimadas. Veja também como Deus mostra o absurdo da situação, pois as imagens tem olhos mas não veem, ouvidos mas não ouvem, nariz e não cheiram, tem mãos mas não apalpam e seus pés não andam, além de não sair som das suas gargantas. Fala a verdade, isso não é Deus mostrando que pedir algo a uma imagem dessas é uma situação absurda?!?

O profeta Isaías vai mais longe, quando pelo Espírito Santo, expõe o que ele mesmo chama da loucura da idolatria. Veja só:

Isaías 44:9-20

Todos os artífices de imagens de escultura são nada, e as suas coisas preferidas são de nenhum préstimo; eles mesmos são testemunhas de que elas nada vêem, nem entendem, para que eles sejam confundidos. Quem formaria um deus ou fundiria uma imagem de escultura, que é de nenhum préstimo? Eis que todos os seus seguidores ficariam confundidos, pois os mesmos artífices não passam de homens; ajuntem- se todos e se apresentem, espantem- se e sejam, à uma, envergonhados. O ferreiro faz o machado, trabalha nas brasas, forma um ídolo a martelo e forja- o com a força do seu braço; ele tem fome, e a sua força falta, não bebe água e desfalece. O artífice em madeira estende o cordel e, com o lápis, esboça uma imagem; alisa- a com plaina, marca com o compasso e faz à semelhança e beleza de um homem, que possa morar em uma casa. Um homem corta para si cedros, toma um cipreste ou um carvalho, fazendo escolha entre as árvores do bosque; planta um pinheiro, e a chuva o faz crescer. Tais árvores servem ao homem para queimar; com parte de sua madeira se aquenta e coze o pão; e também faz um deus e se prostra diante dele, esculpe uma imagem e se ajoelha diante dela. Metade queima no fogo e com ela coze a carne para comer; assa- a e farta- se; também se aquenta e diz: Ah! Já me aquento, contemplo a luz. Então, do resto faz um deus, uma imagem de escultura; ajoelha- se diante dela, prostra- se e lhe dirige a sua oração, dizendo: Livra- me, porque tu és o meu deus. Nada sabem, nem entendem; porque se lhes grudaram os olhos, para que não vejam, e o seu coração já não pode entender. Nenhum deles cai em si, já não há conhecimento nem compreensão para dizer: Metade queimei e cozi pão sobre as suas brasas, assei sobre elas carne e a comi; e faria eu do resto uma abominação? Ajoelhar- me- ia eu diante de um pedaço de árvore? Tal homem se apascenta de cinza; o seu coração enganado o iludiu, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira aquilo em que confio?

Esse trecho não vou nem comentar, pois é tão forte, que fala por si mesmo.

A seguir, já no Novo Testamento, vemos o apóstolo Paulo abordando esse tema, inspirado pelo Espírito Santo, na sua carta aos cristãos que estão em Roma. Imagine só como era para esses irmãos do passado conviverem com o clima de idolatria generalizada que existia na sociedade romana. Vamos lembrar das nossas aulas de história do primeiro grau e do segundo, onde aprendemos que o imperador romano era considerado um deus vivo e era adorado como tal.

Romanos 1:18-32

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo- se- lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram- se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém! Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.

Esses versículos mostram a loucura que é adorarmos a criatura no lugar do criador. Mostram-nos também as consequências de praticamos essas coisas. É mesmo bem triste o que se vê.

No último livro da Bíblia, o Apocalipse (que quer dizer revelação), Deus nos mostra que os que praticam a idolatria não poderão entrar no Reino dos céus:

Apocalipse 21:7-8

O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho. Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.

Se a coisa é desse jeito então como devemos adorar ao Senhor? Como devemos Lhe prestar culto? O que faremos agora? Olha aí a orientação de Jesus no Evangelho de João:

João 4:23-24

Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

Aqui está a receita de um relacionamento de qualidade com Deus, onde o Senhor nos mostra que devemos adorá-lo em espírito e em verdade. Ele chega a nos mostrar que esses são os verdadeiros adoradores, porque Deus é espírito e por isso devemos adorá-lo em espírito: com nossas orações (falando em viva voz não apenas mentalmente), com nossos louvores e cânticos, com nossas atitudes práticas de amor a Ele, aos irmãos e aos que ainda não são irmãos. Também devemos adorá-lo em verdade. Lembra de Jesus dizendo “Eu sou o caminho, A VERDADE e a vida...”. Lembra que Jesus é a Palavra. Então devemos adorar a Deus conforme a Sua Palavra.

Ufa! O assunto é extenso e já estamos acabando. Só mais uma coisa que não poderíamos deixar de fora. Trata-se da idolatria não só a imagens de escultura, mas também a pessoas ou coisas que fazem parte do nosso dia-a-dia, tais como idolatrar o filho, o marido, o time de futebol, o trabalho, um político, um partido, um artista, um cantor e por aí vai. Isso também é considerado idolatria pelo Senhor. Veja o que ele nos diz o evangelho de Mateus a esse respeito:

Mateus 6:19-21

Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

O que mais me impressiona nesses versículos é o final, onde Jesus nos alerta que onde está o nosso tesouro, ali também estará o nosso coração. Se o nosso tesouro está no marido, no filho, no time de futebol, no trabalho, no político, certamente nosso coração também estará lá. Ele é Deus zeloso, ou seja, é Deus que quer estar em primeiro lugar nas nossas vidas e nada pode ser superior ou mesmo igual à nossa adoração por Ele. Por isso, Jesus resumiu todos os mandamentos em dois: amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

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